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Vila União de Curicica luta contra a maior remoção das Olimpíadas de 2016

10 de setembro de 2014

Em notícia recente, o jornal O Globo destacou a planejada remoção da comunidade Vila União, no bairro de Curicica, que prevê a retirada de 876 famílias pela Prefeitura do Rio para a construção da Transolímpica, via expressa com corredor exclusivo de ônibus. Se concretizada, será a maior remoção que o Rio de Janeiro vai sofrer desde 2009, quando houve a eliminação da Vila das Torres, em Madureira. O despejo na Vila União seria tão grande que superaria os números oficiais da Prefeitura para as vias expressas Transcarioca e Transoeste, que abalaram milhares de famílias em dezenas de comunidades nos últimos anos.

Robson da Silva Soares, que mora há 30 na Vila União de Curicica, não quer sair. “Eu cresci ali, meus filhos cresceram ali. O meu mais velho tem 14 anos. Além do investimento que eu fiz na minha casa, eu tenho identificação com o local que sempre vivi”, disse ele, que está na vila desde os seis anos de idade. Desde o início do ano, Robson vem se organizando junto a outros moradores que tentam garantir seus direitos diante dessa ameaça de remoção.

Segundo a matéria, a remoção estaria acontecendo em total harmonia com os moradores, e o reassentamento seria gradual com as famílias ganhando até um kit-casa, com geladeira, fogão, colchão, beliche e sofá. No entanto, os moradores relatam que dezenas de famílias não querem deixar o local e que o número vem aumentando, já que não se sabe ao certo as condições de moradia a que as famílias terão acesso ao final do processo.

Segundo Robson, a Prefeitura está priorizando os moradores de mais baixa renda, planejando remover todas as famílias com renda abaixo de 1600 reais já em setembro, reassentando-os em apartamentos de 40m2 em um condomínio na Colônia Juliano Moreira, próximo dali. Para os restantes, ficarão os escombros e a promessa de uma “segunda fase” de negociação. Em meio ao entulho das 337 casas que já seriam removidas, os moradores restantes teriam que negociar já abalados, com grande incentivo para sair às pressas para qualquer lugar que parecesse melhor.

Além disso, não há garantias sobre os valores que os moradores receberão para buscar sua nova moradia. Segundo a Defensoria Pública, que atende o grupo de moradores que preferem ficar, a Prefeitura costuma pagar em torno de 2 mil reais por metro quadrado pelos terrenos. Em uma pesquisa no mercado da própria comunidade, e do bairro, moradores averiguaram que o valor do metro quadrado é de pelo menos 6 mil reais. Com isso, é impossível se adquirir uma moradia similar na mesma área, uma das exigências básicas para o poder público poder mexer na moradia de seus cidadãos.

“A matéria fala que todo mundo está satisfeito. Gostaria de deixar bem claro que tem uma parte da comunidade que não está satisfeita.” – disse Robson, em resposta à matéria do Globo. “Na Colônia, o apartamento é 40m2. A minha casa tem 2 andares e o terraço, juntando os 3, dá mais de 180m2. Será que é justo trocar 180m2 por 40m2?”