ASSINE o Comitê Popular Rio e receba sempre as últimas notícias

BUSCA no Comitê Popular Rio

Neste domingo, sem-teto do atletismo fazem corrida no Maracanã pela reconstrução do Célio de Barros

28 de junho de 2014

Principal estádio de atletismo do Brasil virou estacionamento para a Copa do Mundo (Foto: Coletivo Vinhetando)
Principal estádio de atletismo do Brasil virou estacionamento para a Copa do Mundo (Foto: Coletivo Vinhetando)

Principal estádio de atletismo do Brasil virou estacionamento para a Copa do Mundo

Neste domingo (29/6), os sem-teto do atletismo – movimento formado por atletas, técnicos e figuras históricas do esporte – organizam mais um ato: a 3ª Corrida e Caminhada pela reconstrução do Estádio de Atletismo Célio de Barros. A largada será dada às 8h no portão 17, em frente ao Célio de Barros, mesmo local de chegada após duas voltas no Maracanã.

No processo de preparação do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, os atletas cariocas perderam o mais tradicional estádio de atletismo do Brasil no dia 9 de janeiro de 2013. A pista acabou sendo destruída durante a reforma do Maracanã e a proposta do governo do Estado em parceria com a iniciativa privada era a construção de um shopping. O Parque Aquático Júlio Delamare também foi fechado.

Após as manifestações populares, no entanto, o então governador Sérgio Cabral voltou atrás e prometeu sua reconstrução e reabertura. Quase um ano se passou e o local permanece fechado, servindo de estacionamento para carros em dias de jogos no Maracanã e agora para a Copa do Mundo. O Célio de Barros era o único estádio do Rio de Janeiro onde todas as modalidades do atletismo podiam ser praticadas.

Entenda as violações de direitos do entorno do Maracanã

O processo de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e sua posterior privatização foi cercado de polêmicas e ilegalidades, com superfaturamento nas obras realizadas por Odebrecht e Andrade Gutierrez. O estádio foi privatizado em licitação ilegal vencida por um consórcio liderado pela mesma Odebrecht. Apesar das seguidas reformas do Maracanã terem consumido mais de R$ 1,5 bilhão, a empresa só vai devolver R$ 181 milhões dividido em parcelas por 35 anos aos cofres públicos. Os impactos diretos do entorno também foram muitos.

O Estádio de Atletismo Célio de Barros foi parcialmente destruído para virar estacionamento, o Parque Aquático Julio Delamare fechado e indígenas da Aldeia Maracanã foram expulsos do antigo prédio do Museu do Índio. A Escola Friedenreich também esteve ameaçada de demolição, assim como todos esses equipamentos. Programas sociais foram interrompidos e atletas olímpicos ficaram sem ter onde treinar na cidade-sede da próxima Olimpíada.

Mais informações:

3ª Corrida e Caminhada pela reconstrução do Estádio de Atletismo Célio de Barros

Quando: Domingo, dia 29 de junho, às 8h

Onde: Largada e chegada no Portão 17 do Maracanã, em frente ao Estádio de Atletismo Célio de Barros (veja mapa)