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“Já são 14 meses sem o Célio de Barros, um retrocesso de 10 anos para o atletismo”, diz ex-coordenadora técnica do Rio 2016

9 de março de 2014

Na manhã deste domingo (9/3), os sem-teto do atletismo – movimento formado por atletas, técnicos e figuras históricas do esporte – realizaram a 1ª Corrida e Caminhada pela reconstrução do Estádio de Atletismo Célio de Barros. A largada aconteceu no portão 17, em frente ao Célio de Barros, mesmo local de chegada após duas voltas no Maracanã.

“Olimpíadas para quem? Faltam dois anos para os jogos e cadê os equipamentos esportivos?”, questionou Edneida Freire, ex-coordenadora técnica do projeto Rio 2016, que reunia 322 atletas entre cinco e 50 anos no Célio de Barros. “O atletismo carioca está perambulando na cidade olímpica. Já são 14 meses sem o Célio de Barros, isso é um retrocesso de 10 anos para o esporte que já é carente de tudo”, desabafou.

No processo de preparação do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016, os atletas perderam o mais tradicional estádio de atletismo do Brasil no dia 9 de janeiro de 2013. A pista acabou sendo destruída durante a reforma do Maracanã e a proposta do governo do Estado em parceria com a iniciativa privada era a construção de um shopping.

Após as manifestações populares, no entanto, o governador Sérgio Cabral voltou atrás e prometeu sua reconstrução e reabertura, mas oito meses se passaram e o local permanece fechado, servindo de estacionamento para carros em dias de jogos no Maracanã. O Célio de Barros era o único estádio do Rio de Janeiro onde todas as modalidades do atletismo podiam ser praticadas.

“Com a corrida, queremos lembrar da promessa de reconstrução do estádio. Estão esperando o quê?”, questionou Solange Chagas, coordenadora técnica de atletismo do Vasco. “Sem o Célio de Barros, os atletas estão sem condições adequadas para treinar. Eu encaminho para São Paulo ou outros grandes clubes, para eles não ficarem nessa situação. Muitos atletas talentosos já pararam. O que o governo tem que fazer é reconstruir o nosso estádio”, finalizou.

* Texto e fotos: Renato Cosentino