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Trilha histórica do pico do Santa Marta é programa certo para este domingo (23)

18 de fevereiro de 2014

A conquista do pico na última trilha, no dia 20 de outubro.
A conquista do pico na última trilha, no dia 20 de outubro.
A última trilha contra a remoção do Pico do Santa Marta aconteceu no dia 20 de outubro de 2013 com mais de 100 pessoas.
A última trilha contra a remoção do Pico do Santa Marta aconteceu no dia 20 de outubro de 2013 com mais de 100 pessoas.
Vitor Lira, liderança da luta contra a remoção no Pico do Santa Marta.
Vitor Lira, liderança da luta contra a remoção no Pico do Santa Marta.
Faixas no Pico do Santa Marta: favela modelo de quê?
Faixas no Pico do Santa Marta: favela modelo de quê?
Seu Manoel Isidoro: 60 anos de Pico do Santa Marta.
Seu Manoel Isidoro: 60 anos de Pico do Santa Marta.

Favela da Zona Sul tem uma das vistas mais bonitas da cidade, mas moradores do Pico estão ameaçados de remoção

Os belos dias de sol que o Rio de Janeiro vem tendo no Verão fazem um convite para participar de uma atividade ecológica, política e cultural ao ar livre. No próximo domingo (23/2), moradores do morro Santa Marta realizam um programa que já entrou no roteiro de cariocas e turistas: a trilha histórica do Pico do Santa Marta.

A atividade serve também para chamar atenção à ameça de remoção de cerca de 150 famílias do local. “O objetivo é fortalecer a luta pela preservação da parte alta do morro, onde começou a ocupação e a história da favela”, disse Vitor Lira (32), guia de turismo e uma das lideranças do grupo, pai de Vitória (5) e João Vitor (2), quinta geração da sua família na mesma casa no alto do morro.

O ponto de encontro será a Praça Corumbá, em Botafogo, às 9h. A subida pelas vielas da favela dura cerca de uma hora até o Pico. Após uma parada para descanso, o grupo segue pela parte ameaçada de remoção e de onde se inicia a trilha pela floresta até o mirante Dona Marta. “Queremos desenvolvimento para essa área em todos os seguimentos, econômico, social e em infra-estrutura, mas o governo diz que vivemos em área de risco. Risco pra quem?”, questionou Vitor.

A GEO-RIO, órgão da Secretaria Municipal de Obras da Prefeitura, elaborou um relatório que diz que o Pico do Santa Marta se situa em área de alto risco. No entanto, obras de contenção de encosta foram feitas em governos anteriores e não há incidentes registrados no local nas últimas três décadas. As ruas e vielas do Pico já têm nome e há cobrança de água e luz. Um contra-laudo foi elaborado pelo engenheiro Maurício Campos dos Santos, em julho de 2012, que recomenda investimentos em urbanização.

Os moradores ameaçados vêm se reunindo na Comissão de Moradores do Pico do Santa Marta e questionando as reais intenções de tirá-los dali, já que o Pico é um local muito frequentado por turistas que visitam o Rio de Janeiro. O alto do morro tem uma das vistas mais privilegiadas da cidade, de onde se vê o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Lagoa Rodrigo de Freitas, as famosas praias da Zona Sul e até mesmo Niterói.

“A gente recebe diariamente muitos turistas e também pesquisadores de empresas, porque eles sabem do fluxo de visitantes estrangeiros e brasileiros que passam por aqui”, disse Vitor. “O trem do Corcovado não dá mais vazão e o Pico é uma rota alternativa para o Cristo. Mas o turismo no Santa Marta tem beneficiado apenas as grandes empresas do setor, não os moradores”, criticou.

Após enfrentarem a subida pela mata, os visitantes são brindados com a bela vista do mirante Dona Marta. À tarde, está programada uma roda de samba com o grupo Nosso Orgulho. Uma das presenças esperadas é  de seu Manoel Isidoro (82), morador mais antigo da parte alta do morro e que completou 60 anos de Pico em 2013. História viva da favela, ele ajudou a construir a capela que abriga a Santa Marta, também localizada no Pico, e a caixa d’água comunitária que por décadas abasteceu centenas de famílias.

Os 80 anos de vida que separam o pequeno João Vitor de seu Manoel Isidoro parecem mostrar que não há outra saída que não a permanência de seus moradores no local em que construíram sua história e identidade, no momento em que os investimentos públicos, mesmo que devagar, começam a chegar. Uma trajetória de luta que faz parte da história do Rio de Janeiro e que ainda não chegou ao fim. “É a nossa história que estão tentando apagar, mas não vamos deixar”, finalizou Vitor.

SERVIÇO

Guia oficial:

Vitor Lira
telefone: 21 98687-3597
e-mail: vitor.toursantamarta@gmail.com

Como chegar:

Subindo por Laranjeiras: entrar na rua General Glicério e seguir em direção a Rua Oswaldo Seabra até a atual base policial do morro, antiga creche do Pico do Santa Marta.

Subindo por Botafogo: ir à praça Corumbá (R. São Clemente, 312) e subir a pé pelas escadarias da favela ou pegar o plano inclinado até a quinta estação.

Para almoçar no Pico do Santa Marta:

Bar e Restaurante Família Turano, da Vanderleia. Almoço a R$ 12 e cerveja gelada numa laje de ambiente familiar. Destaque para o pudim de leite de sobremesa por R$ 2,50.

Curiosidade:

Santa Marta é o nome da favela localizada no morro Dona Marta. Muitas vezes a comunidade é chamada de Dona Marta, que na verdade é o nome do acidente geográfico onde se situa.