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Vila União de Curicica: da urbanização à remoção em dois anos

6 de fevereiro de 2014

Integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas distribuíram material informativo sobre o direito dos moradores.
Integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas distribuíram material informativo sobre o direito dos moradores.
Robson da Silva Soares (centro) não quer deixar a sua casa.
Robson da Silva Soares (centro) não quer deixar a sua casa.
Integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas distribuíram material informativo sobre o direito dos moradores.
Integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas distribuíram material informativo sobre o direito dos moradores.
Condomínio do Minha Casa Minha Vida na estrada dos Caboclos, em Campo Grande. Moradores estão insatisfeitos.
Condomínio do Minha Casa Minha Vida na estrada dos Caboclos, em Campo Grande. Moradores estão insatisfeitos.
Reportagem na edição nº 38 no Brasil de Fato RJ.
Reportagem na edição nº 38 no Brasil de Fato RJ.

Comunidade que está no caminho da Transolímpica seria urbanizada pela Prefeitura

Integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas estiveram no último sábado, dia 1º de fevereiro, na Vila União de Curicica, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Pelo menos 700 famílias tiveram suas casas marcadas e estão ameaçadas de remoção para a construção da Transolímpica, que ligará a Barra da Tijuca a Deodoro. Caso se concretize, a remoção da Vila União de Curicica será uma das maiores para as Olimpíadas de 2016.

A comunidade, no entanto, estava no mapa de urbanização da Prefeitura. “O edital do Morar Carioca contemplou a Vila União. O contrato com o escritório de arquitetura Corcovado foi assinado em 2012 e em maio do mesmo ano começou o trabalho de campo”, disse uma das técnicas que participou da equipe. “Mas o agrupamento não passou da fase de diagnóstico e acabou sendo excluído”, lamentou.

Apesar de documentos públicos provarem que a comunidade seria urbanizada, a subprefeitura da Barra nega. “Desde o início a comunidade fazia parte do traçado da Transolímpica”, disse a assessora Nida Rego. Segundo ela, os moradores serão reassentados na Colônia Juliano Moreira. No entanto, há muitas indefinições, já que os apartamentos, além de pequenos, não contemplam os comerciantes.

O defensor público e sub-coordenador do Núcleo de Terras e Habitação, Bernardo Marcos Dias, recebeu os moradores na última quinta-feira. Segundo ele, a Defensoria vai oficiar a Prefeitura e apurar as informações. “Vamos pegar o projeto, ver a quantidade de remoções e iniciar o diálogo com a Prefeitura. Depois disso, vamos estudar com os moradores qual é a melhor opção”.

Robson da Silva Soares, que mora há 30 na Vila União de Curicica, não quer sair. “Eu cresci ali, meus filhos cresceram ali. O meu mais velho tem 14 anos. Além do investimento que eu fiz na minha casa, eu tenho identificação com o local que sempre vivi”, disse ele, que está na vila desde os seis anos de idade.

Moradores reassentados em Campo Grande estão insatisfeitos

Terrenos no Recreio não foram utilizados após remoção em 2011 para a construção da Transoeste

A experiência das famílias que foram reassentadas em conjuntos habitacionais do Minha Casa Minha Vida não anima os moradores que podem ter o mesmo destino. Os questionamentos mais comuns são sobre a distância do antigo local de moradia e de trabalho, a qualidade do transporte, o acesso a serviços públicos na região e a qualidade dos apartamentos.

“O BRT faz a gente ter coragem e enfrentar pessoas que a gente não conhece. Os usuários querem sentar e não se respeita cadeira de idoso, mãe com filho colo, nada. O BRT não é diferente do trem, a gente chama de BR-Trem”, disse Jeane Santos, que morava na Vila Recreio II e, apesar da distância de Campo Grande, ainda trabalho no bairro. O marido acabou perdendo o emprego.

Os moradores que saíram das comunidades do Recreio ainda convivem com outro drama: os terrenos não foram utilizados na construção da Transoeste, como denunciou o Brasil de Fato RJ em setembro de 2013. Para Jeane, a intenção da Prefeitura foi tirar os moradores de baixa renda da área. “Eles são burgueses, não querem se misturar. Só querem o nosso trabalho. A gente chega lá pra servir a eles, depois eles querem nos tirar logo (da Barra da Tijuca)”.

A baixa qualidade dos empreendimentos também frustrou as famílias, já que as casas já estão com rachaduras e não há limpeza frequente dentro do condomínio. “Os moradores não tem condições de pagar, o certo é a prefeitura pagar, e acaba que ninguém cuida”, reclamou Maria Luiza. “O condomínio custa R$ 50 reais. Ninguém tem nem o que comer, vai pro sinal vender água pra poder comer, como é que vai pagar?”, questionou.

O acesso a serviços públicos, como educação, também é um problema. “Aqui em Campo Grande não tem escola (pública) para todos. O meu filho vai ter que estudar em escola particular e a matrícula integral custa R$ 450 reais, vou ter que pedir bolsa. Ele tem três anos e meio e não pode ficar mais sem estudar. Eu quero um futuro melhor pra ele”, concluiu Jeane.