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Sem-teto do atletismo fazem ato para lembrar o primeiro ano do fechamento do Célio de Barros

16 de janeiro de 2014

Treinadores, atletas e usuários do Célio de Barros mobilizados para a reabertura do estádio de atletismo.
Treinadores, atletas e usuários do Célio de Barros mobilizados para a reabertura do estádio de atletismo.
Ato contra a demolição do Célio de Barros com a presença da campeã Olímpica Maurren Maggi.
Ato contra a demolição do Célio de Barros com a presença da campeã Olímpica Maurren Maggi.
Atletas se manifestam na Corrida de São Sebastião em 2013.
Atletas se manifestam na Corrida de São Sebastião em 2013.
Destruição do Célio de Barros durante a reforma do Maracanã.
Destruição do Célio de Barros durante a reforma do Maracanã.
Último Jogos Estudantis no Célio de Barros, em outubro de 2012: evento não tem mais local certo para acontecer.
Último Jogos Estudantis no Célio de Barros, em outubro de 2012: evento não tem mais local certo para acontecer.
Último Jogos Estudantis no Célio de Barros, em outubro de 2012: evento não tem mais local certo para acontecer.
Último Jogos Estudantis no Célio de Barros, em outubro de 2012: evento não tem mais local certo para acontecer.

Após pressão popular, o governador Sérgio Cabral prometeu a reabertura do estádio de atletismo, mas até agora nada foi feito

Uma cidade que se prepara para receber as Olimpíadas deveria estar investindo em esporte e na construção de centros esportivos de ponta, certo? Errado. O Rio de Janeiro perdeu nos últimos anos o Autódromo de Jacarepaguá, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare, reaberto recentemente e apenas de forma parcial após as manifestações de 2013.

Por isso, no último dia 9 de janeiro, atletas, alunos e demais usuários do Célio de Barros estiveram em frente ao estádio, no complexo esportivo do Maracanã, para lembrar do primeiro ano sem o seu principal local de treinamento. Eles fizeram um ato batizado de “Sem-teto do atletismo rumo às Olimpíadas de 2016″, exigindo que a pista seja imediatamente reconstruída com padrão internacional.

“Não foi uma festa de comemoração, vamos comemorar quando estivermos outra vez dentro da nossa casa, treinando e competindo. Foi um encontro para reivindicarmos nossos direitos”, disse Edneida Freire, ex-coordenadora técnica do projeto Rio 2016, que reunia 322 atletas entre cinco e 50 anos no Célio de Barros.

Há um ano, o governo estadual, sem aviso prévio, fechou as portas do Célio de Barros, o único estádio da cidade onde todas as modalidades do atletismo podem ser praticadas. O objetivo era construir um shopping e um estacionamento no terreno, em obra que fazia parte do projeto da empresa IMX, do empresário Eike Batista, que junto com a Odebrecht e a AEG assumiu a gestão do Maracanã.

No entanto, a pressão popular das manifestações fez com que o governo desistisse do plano de demolição e prometesse a reconstrução do estádio, recém-reformado para o Pan-Americano de 2007, mas que acabou sendo parcialmente destruído no ano passado. Sua pista foi asfaltada e tem sido usada como estacionamento em dias de jogos de futebol.

“Estamos há um ano sem o único estádio de atletismo oficial e público, isto na cidade sede da próxima Olimpíada, que vai entrar para história como a primeira da América do Sul”, disse Edneida. “Para nós do atletismo, o legado chegou antecipado: despejos, demolições, uma luta insana e dolorosa”, desabafou.

Os atletas têm no estádio sua primeira casa e costumam dizer que o Célio de Barros está para o atletismo assim como o Maracanã para o futebol. Segundo eles, é um templo do esporte, por isso sua demolição sempre foi inegociável. Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico no salto triplo, treinou e competiu nas pistas do Célio de Barros. Grandes competições nacionais e internacionais foram sediadas lá, além de jogos estudantis, desde a década de 70.

A luta contra a demolição do Célio contou com nomes de peso, como os campeões olímpicos Joaquim Cruz e Maurren Maggi. E a nova geração, que está impedida de entrar no complexo esportivo do Maracanã, segue de perto o exemplo dos ídolos.

“Estamos tendo que adaptar locais de treinamento, como Quinta da Boa Vista, Alto da Boa Vista e em alguns campos”, disse o jovem atleta Felipe Martins, que fez questão de comparecer ao protesto para exigir a reabertura do estádio. “Sem o Célio de Barros, o atletismo está quase extinto no Rio de Janeiro”, finalizou.

Texto e imagens: Renato Cosentino